O sinal toca, as portas se abrem e, em um segundo, o mundo parece girar em câmera lenta. Você solta a mãozinha dele, ouve o choro ecoar pelo corredor e vira as costas com uma sensação física de aperto no peito. Para muitas mães, o retorno às aulas ou a primeira vez na escola não é apenas um evento logístico; é uma travessia emocional dolorosa. Se você já se pegou chorando no carro logo após o "tchau", saiba que você não está sozinha e, mais importante, que esse sentimento tem nome e explicação.
Essa aflição que sentimos ao ver nossos filhos darem os primeiros passos rumo à autonomia é um reflexo direto do que a psicologia chama de Apego Seguro. Segundo o psiquiatra e psicanalista John Bowlby, a mãe funciona como uma base segura a partir da qual a criança explora o mundo. Quando essa base se afasta, o sistema de alerta biológico de ambos é ativado. O seu choro e a sua angústia não são sinais de fraqueza, mas sim a prova viva do vínculo profundo que você construiu.
No entanto, há um segredo que os portões das escolas escondem: o choro do protesto raramente é um choro de sofrimento eterno. Na grande maioria dos casos, o pranto cessa poucos minutos após os pais sumirem de vista. O desafio, portanto, é gerenciar a nossa própria projeção. Como bem pontua a educadora e psicanalista Elisama Santos, a criança lê a nossa linguagem corporal. Se entregamos o filho com insegurança e culpa estampadas no rosto, a mensagem que enviamos é: "este lugar é perigoso". Por outro lado, quando validamos o sentimento dele, mas mantemos a nossa firmeza gentil, sinalizamos que confiamos na escola e, consequentemente, ele também pode confiar.
Para suavizar essa transição, podemos usar ferramentas simbólicas. Criar um "objeto de transição" — como um coração desenhado na palma da mão da criança que se conecta ao mesmo desenho na mão da mãe — ajuda a manter a ponte emocional viva durante as horas de separação.
Por fim, é preciso abraçar a imperfeição. O pediatra e psicanalista Donald Winnicott cunhou o termo "mãe suficientemente boa" para nos lembrar que não precisamos ser perfeitas. Falhas, saudades e pequenos momentos de separação são essenciais para que a criança desenvolva sua própria resiliência. A escola não é o lugar onde você "abandona" seu filho, mas o palco onde ele começa a ensaiar a própria história. Respire fundo, mãe. O seu coração continua batendo lá dentro, mas ele está aprendendo a voar.
Referências Utilizadas:
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BOWLBY, John. Apego e Perda. (Teoria do Apego e a importância da base segura para o desenvolvimento infantil).
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SANTOS, Elisama. Educação Não Violenta. (Conceitos sobre validação emocional e a influência do estado emocional dos pais na adaptação dos filhos).
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WINNICOTT, Donald. A Criança e o seu Mundo. (Conceito de "Mãe Suficientemente Boa" e o papel da separação no desenvolvimento da autonomia).

